Que de história nada tinha
Eram palavras à solta
Volta e meia meias tontas
Que queriam nascer ali
Bem da pontinha de tinta
Da caneta milagreira
Que fazia acontecer
Histórias que não eram pra ser.
Era uma vez uma menina
Que queria porque queria
Saber uma história nova
Em cada dia que havia.
Mas como não tinha quem
Lhas lesse ou lhas contasse
Àquela velocidade
A menina magicou
Tanto pensou e pensou
Que arranjou uma maneira
De ter sempre à cabeceira
Uma história novinha em folha
E própria pr' à sua idade.
E perguntas tu então
Como é que isso aconteceu?
Não digo!
Digo?
Sim?
Não?...
Resolvi dar-te o segredo
Da menina-criativa
Que da sua cabecinha
Sempre que queria uma história...
Sacava uma personagem
Compunha um cenário-miragem
E mil peripécias tais
Que uma história toda nova,
Mesmo novinha em folha
Não lhe faltava jamais!
E aqui fica o segredo
Das histórias por haver
Que a menina-criativa
Sempre que lhe apetecia
Fazia acontecer.
Lurdes Pelarigo
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