Histórias de encantar ou de estarrecer, textos inéditos,reflexões, educação, crónicas, cultura, iliteracia, encontros...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
O DESCANSO DO PAI NATAL
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
I COLÓQUIO IBÉRICO DE LIT. INFANTIL E INTERCULTURALIDADE/III SIMPOSIUM UN,. LECTORAS
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Formar leitores: a importância da rotina e do exemplo
E se virmos uma criança ou um jovem a ler, apenas “porque sim”, podemos ter a certeza que ali está um leitor.
domingo, 10 de maio de 2009
Crescer rodeado de palavras
quinta-feira, 7 de maio de 2009
POEMINHA PRAZEIROSO
Que de história nada tinha
Eram palavras à solta
Volta e meia meias tontas
Que queriam nascer ali
Bem da pontinha de tinta
Da caneta milagreira
Que fazia acontecer
Histórias que não eram pra ser.
Era uma vez uma menina
Que queria porque queria
Saber uma história nova
Em cada dia que havia.
Mas como não tinha quem
Lhas lesse ou lhas contasse
Àquela velocidade
A menina magicou
Tanto pensou e pensou
Que arranjou uma maneira
De ter sempre à cabeceira
Uma história novinha em folha
E própria pr' à sua idade.
E perguntas tu então
Como é que isso aconteceu?
Não digo!
Digo?
Sim?
Não?...
Resolvi dar-te o segredo
Da menina-criativa
Que da sua cabecinha
Sempre que queria uma história...
Sacava uma personagem
Compunha um cenário-miragem
E mil peripécias tais
Que uma história toda nova,
Mesmo novinha em folha
Não lhe faltava jamais!
E aqui fica o segredo
Das histórias por haver
Que a menina-criativa
Sempre que lhe apetecia
Fazia acontecer.
CRIAÇÃO
Conto escutado na VIII Palavras Andarilhas, em Setembro de 2006, em Beja, de autoria de Nicolás Buenaventura, dito pelo próprio, acompanhado por Sandra Sanchéz. Os poemas ditos por esta parelha são acompanhados pelos mais diversos sons e por um violoncelo. Por me ter tocado profundamente, cheguei ao hotel, quase às 2 da manhã e a primeira coisa que fiz foi pegar no portátil e fixar o texto. Porém, para cumprir a tradição de quem conta um conto, acrescenta um ponto, esta é uma versão adaptada do texto escutado.
CRIAÇÃO
Deus, que resistira à tentação de fazer o Homem à sua imagem e semelhança, cumprindo a sua função de Criador, entretinha-se a fazer o Mundo.
Fez primeiro a Terra e quando a deu por pronta mirou-a, sorriu e sentiu-se satiafeito.
Sobraram-lhe pedacinhos de nada, résteas, desperdícios, migalhas.... e tudo Deus guardou.
Decidiu depois fazer a Água e na Terra surgiram os Mares, os Rios e os Oceanos.
Sobraram-lhe pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas... Então, Deus aproveitou e polvilhou a Terra de lagos e de cascatas, de ribeirinhos, de riachos e de nascentes.
Sobraram-lhe pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas.... e tudo Deus guardou.
Fez então Deus as árvores, que pela Terra espalhou. Delas nasceram florestas que Deus, contente mirou.
Sobraram-lhe pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas.... e tudo Deus guardou. Reparando que já tinha de lado muitos pedaços, pegou em todos eles e num abismo os atirou.
Criou então Deus as cores para na Terra pôr os árco-íris dos dias: criou as rosas e as margaridas, as glicínias e as papoilas, os malmequeres e os girassóis, as maçãs e as laranjas, os limões e as romãs...
Sobraram-lhe pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas.... e no abismo os atirou.
Lá em baixo, nesses pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas, crescia uma vontade enorme de ser. O Homem queria também ser criado e pediu a Deus que o fizesse. Mas Deus respondeu: NÃO!!!!
E voltou para a sua tarefa de criador.
Pintou um céu muito azul e deu-lhe um amigo para o dia e uma amiga para a noite: O Sol e a Lua. Depois, acrescentou as estrelas, os planetas, o espaço, o tempo e a distância.
Sobraram-lhe pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas... e no abismo os atirou.
Criar em seguida os pássaros e os insectos, os bichos grandes e pequenos, ferozes e dóceis.
Sobraram-lhe pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas.... e no abismo os atirou.
Lá em baixo, nesses pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas, continuava a crescer uma vontade enorme de ser.
Deus dedicou-se então à criação da beleza, dos sons, do movimento, do horizonte e do firmamento.
Sobraram-lhe pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas.... e no abismo os atirou.
Lá em baixo, nesses pedacinhos de nada, résteas, desperdício, migalhas, continuava a crescer uma vontade enorme de ser.
E era tão grande, tão grande essa vontade de ser, tão premente, tão importante, que o Homem dividiu-se em dois e aconteceu!
É por isso que o homem tem sempre um pouco de Terra... um pouco de Mar...um pouco de Árvore...um pouco de Céu.... um pouco de Sol...
E é por isso que a mulher tem sempre um pouco de Água...um pouco de Floresta... um pouco de ´Pássaro... um pouco de Noite... um pouco de Lua...